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    Belém, a Francesinha do Norte – Pará

    Belém, capital do estado do Pará, está situada na região conhecida como Amazônia Oriental, é a capital mais chuvosa do Brasil. Seu clima é quente e úmido, põe quente e úmido nisso!

    Feliz Lusitânia foi o nome dado ao povoado instalado às margens da Baía do Guajará e do Rio Guamá, na região Norte do Brasil, atual cidade de Belém, em 12 de janeiro de 1616, pelo capitão Francisco Caldeira Castelo Branco, que ali chegou com a expedição militar portuguesa “Feliz Lusitânia”, em 1580.

    Sobrevoando Belém
    Água e mata a perder de vista

    O município de Belém é formado por uma área continental e uma área insular composta por 42 ilhas, que correspondem a 65% de seu território. Os índios Tupinambás e os Pacajás eram os habitantes originários da região, cujo território abrangia as áreas que são hoje os estados do Amapá, Pará e Maranhão. Com a fundação de Feliz Lusitânia iniciou-se um período de batalhas contra os holandeses, ingleses e franceses, que tentavam tomar a região; e, também, contra os índios que protagonizaram, em 1619, a Revolta Tupinambá, contra a colonização e escravização de sua gente. A revolta foi suspensa quando Gaspar Cardoso matou o cacique-guerreiro Guaimiaba. Outras revoltas ocorreram até 1639, quando o sargento-mor da capitania do Cabo Norte Bento Maciel Parente, investiu sobre a aldeia dos índios Tapajós, dizimando-os e dominando a Conquista do Pará. Com a vitória, ele foi nomeado Capitão-Mor do Grão Pará, a Conquista foi transformada em Capitania e o povoado foi elevado a município com o nome de Santa Maria de Belém do Pará ou Nossa Senhora de Belém do Grão Pará (posteriormente, Santa Maria de Belém do Grão Pará, atual Belém).

    Com a ruptura política entre Brasil e Portugal em 1822, devido à distância da agora Província do Grão-Pará dos núcleos decisórios instalados na região Sudeste do país, e devido ainda a ser fortemente ligada a Portugal, a pedido da elite local, Belém só veio a reconhecer a independência do Brasil quase um ano após a proclamação, em agosto de 1823. Isso custou caro à Província, pois tornou-se irrelevante politicamente para D. Pedro I, aumentando a pobreza e os surtos de doenças, gerando um descontentamento popular conhecido como revolta da Cabanagem.

    Mas não só de revoltas e crueldades é composta a história de Belém. Em 400 anos, Belém foi um importante entreposto fiscal (século XVII) entre a Amazônia e a Europa, devido à sua posição estratégica; depois, teve sua importância para o desenvolvimento da região, quando da abertura dos rios amazônicos aos comerciantes internacionais (séc. XIX); e viveu seu apogeu no período conhecido como ciclo da borracha (final do séc. XIX e início do XX), quando chegou a ser chamada pelos imigrantes europeus de “Paris Tropical” e “Francesinha do Norte”. A cidade é muito rica culturalmente e conta com importantes e históricas construções, como o Theatro da Paz, o Museu Emílio Goeldi, o Mercado Ver-o-Peso, o Forte do Presépio, além da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, a primeira do Norte do Brasil.

    Bairro Reduto
    Centro Cultural Sesc Ver-o-Peso

    Estive em Belém a trabalho em 2014 e voltei em setembro de 2022 acompanhada de duas amigas, para merecidas férias depois da pandemia. O destino foi escolhido por elas e eu acatei sem hesitar, pois dessa vez iria conhecer também a Ilha de Marajó (post do Brasília na Trilha).

    Chegamos em Belém numa quarta-feira à tarde e já sentimos o calor e a umidade que nos acompanharia pelos próximos dias.

    Saindo do aeroporto, pegamos um transporte por aplicativo até o Terminal Hidroviário de Belém Luiz Rebelo Neto, pertinho da Estação das Docas, onde compramos as passagens para a Ilha de Marajó para a manhã do dia seguinte, pois a procura é grande e o barco sai sempre cheio. Confira aqui a viagem para a Ilha de Marajó.

    Dali, fomos para o hotel Grão Pará. Simples, antigo, muito bem localizado e com ótimo custo-benefício. Passamos a primeira noite e depois fomos para Soure, na Ilha de Marajó. Na volta, passamos mais uns dias na cidade, no mesmo hotel. Apesar do ar-condicionado antigo e barulhento, valeu a pena.

    Um dia – visita rápida

    Check-in realizado, malas no quarto, saímos para almoçar alí pertinho, no restaurante Point do Açaí. Ambiente agradável, decorado com antiguidades típicas da região, boa comida e ótimo atendimento.

    Restaurante Point do Açaí
    Point do Açaí
    Point do Açaí
    Andar térreo do restaurante
    Açaí e mix de carnes – prato típico

    Depois de experimentarmos o famoso açaí com peixe, carne, camarão e farinha, nosso primeiro passeio em Belém foi de reconhecimento da área. Demos uma volta a pé pelo centro histórico – Praça da República (em frente ao hotel), Catedral da Sé, Museu de Arte Sacra, Casa das Onze Janelas e Forte do Presépio, de onde admiramos um lindo pôr do sol. Continuamos andando e passamos pela Feira do Açaí, pelo Mercado Ver-o-Peso, e terminamos o dia na Estação das Docas.

    Pôr do sol na baía do Guajará
    Feira do Açaí
    Forte do Presépio

    No dia seguinte, levantamos cedo, tomamos café, fizemos check-out e pegamos um táxi até o Terminal Hidroviário de Belém, perto dali, onde pegamos uma lancha rápida com destino a Soure (post do Brasília na Trilha), na Ilha de Marajó.

    De volta a Belém para turistar

    Voltamos da Ilha de Marajó numa segunda-feira à tarde, fizemos o check-in no Hotel Grão-Pará novamente e fomos caminhar pelo Complexo da Praça da República.

    Complexo da Praça da República

    O Complexo da Praça da República compreende as praças e jardins no entorno do Theatro da Paz, que abrigam o Chafariz das Sereias, a Praça João Coelho (ao fundo do teatro), o Bar do Parque, e a Praça da República propriamente dita, onde estão o Instituto de Ciências e Arte da Universidade Federal do Pará, o Teatro Waldemar Henrique, os monumentos à República e à educação, coretos e esculturas.

    Praça da República

    A Praça da República é uma das maiores e mais importantes praças de Belém e fica na área central da cidade, no bairro da Campina (Avenida Presidente Vargas). Ela é cercada por mangueiras centenárias e é ponto de encontro de famílias, turistas e artistas, especialmente nos finais de semana, devido a intensa programação cultural: feira de artesanato, culinária, música. A praça abriga o Theatro da Paz, o Teatro Waldemar Henrique, o Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará, monumentos, coretos e o Bar do Parque, ponto de encontro de artistas e intelectuais.

    Destaca-se o Monumento à República, inaugurado no dia 15 de novembro de 1897 em homenagem à nova forma de governo. À época do Império, o local era chamado de Praça Pedro II, quando teve início a urbanização dessa área, com a inauguração em 1878 do Teatro de Nossa Senhora da Paz, atualmente Theatro da Paz. O monumento tem um pedestal de quatro faces e uma coluna dórica, onde está Marianne, a figura principal, com as insígnias revolucionárias da sua identidade, representando a República. Ele é feito de mármore de Carrara e bronze e tem uma altura total de 20 metros.

    Outro destaque da praça é o conjunto de esculturas recém inaugurado (setembro/2022), que representa a importância da educação e da inclusão, retratando uma sala de aula com uma professora e alunos em tamanho natural. Eles representam os 47 milhões de estudantes da Educação Básica brasileira, matriculados em mais de 180 mil escolas em todo o Brasil. A iniciativa foi do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, que também levou a ideia para São Paulo e Salvador.

    Monumento à República
    Educação e Inclusão
    Paisagismo, descanso e lazer
    Teatro Waldemar Henrique e Instituto de Ciência da Arte
    Um dos coretos da praça
    Theatro da Paz

    Theatro da Paz

    Com 144 anos de história, o Theatro da Paz foi inspirado no Teatro Scala de Milão (Itália), pelo engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães, que deu início ao projeto arquitetônico a pedido do governo da província. À época, Belém protagonizava um grande crescimento econômico na região amazôncia devido ao período áureo do Ciclo da Borracha, quando foi considerada “A Capital da Borracha”. Mas, apesar desse progresso, a cidade ainda não tinha um teatro de grande porte, capaz de receber espetáculos do gênero lírico.

    Inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, o Theatro da Paz foi a primeira casa de espetáculos construída na Amazônia; é o maior teatro da região Norte; e um dos mais luxuosos do Brasil, sendo considerado um Teatro-Monumento. Sua acústica é perfeita. O teatro é decorado com espelhos e lustres de cristal francês; pisos em mosaico de madeiras nobres regionais como acapú e pau amarelo, coladas com o grude do Gurijuba (peixe da região); bustos em mármore de Carrara dos escritores brasileiros José de Alencar e Gonçalves Dias (hall de entrada) e de dois grandes compositores da época – Carlos Gomes e Henrique Gurjão (Salão Nobre); afrescos nas paredes e teto, dezenas de obras de arte, gradis e outros elementos decorativos revestidos com folhas de ouro; além de escadaria no hall de entrada toda em mármore italiano. A sala de espetáculos conta com 900 assentos (originalmente tinha 1.100 lugares) e as cadeiras conservam o estilo da época em madeira e palhinha adequadas ao clima da região.

    Em 1905, a fachada neoclássica do teatro foi reformada. Para decorar, colocaram medalhões de musas que representam as artes cênicas: comédia, poesia, música e tragédia; nas laterais a dança; no centro o Brasão do Estado do Pará. As luminárias da balaustrada representam o dia e a à noite.

    Toda essa maravilha é possível conhecer em visita guiada. Confira no site oficial dias, horários e valores. A visita é gratuita às quartas-feiras. Além de fazermos a visita, compramos ingressos (por 2 reais) para um concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência da maestrina convidada Cibelle Donza. Simplesmente maravilhoso!

    • Fachada do Theatro da Paz

    Chafariz das Sereias

    O Chafariz das Sereias está localizado na Praça da Sereia, também chamada Princesa Louçã, que integra o complexo da Praça da República, na avenida Presidente Vargas, a poucos metros do Theatro da Paz, do Cinema Olympia (o mais antigo em funcionamento no Brasil, desde 1912), e em frente ao Instituto de Educação do Estado do Pará. O chafariz foi construído em 1904, com o objetivo de abastecer a cidade de água. A fonte é feita em alvenaria com arremate em cobre. À sua volta há um jardim circular, protegido com guardil baixo de ferro trabalhado.

    Chafariz das Sereias
    Instituto de Educação do Estado do Pará

    Parque João Coelho – alegorias femininas

    Ainda no complexo da Praça da República, atrás do Theatro da Paz, além de um coreto, há quatro figuras femininas, sobre as quais não encontrei muitas informações, apenas que são estátuas em bronze e representam Vênus, Flora e Samaritana; e mais afastada, a escultura de Ana Reta, cuja fundição é da primeira metado do século XX. As esculturas reforçam a relação da cidade com a natureza, a floresta, a mitologia e até com os ideais libertários.

    Alegorias femininas
    Parque João Coelho – Theatro da Paz ao fundo
    Ana Reta
    Flora
    Samaritana
    Vênus

    No fim do dia, fomos jantar na Estação das Docas.

    Estação das Docas

    O Complexo Turístico Estação das Docas foi inaugurado no dia 13 de maio de 2000 e se tornou um dos cartões postais mais visitados do estado, recebendo cerca de um milhão e meio de visitantes por ano. O espaço é resultado de um cuidadoso trabalho de restauração dos armazéns do porto de Belém. São 32 mil m² divididos em três galpões de ferro inglês da segunda metade do século XIX e um terminal de passageiros. Os galpões foram batizados de Boulevard das Artes (armazém 1); Boulevard da Gastronomia (armazém 2); e Boulevard das Feiras e Exposições (armazém 3). O complexo contempla ainda o Teatro Maria Sylvia Nunes e o anfiteatro do Forte de São Pedro Nolasco, instalado em suas ruínas. O Forte é de 1665 e foi destruído em 1825 no Movimento da Cabanagem.

    Na área externa há uns guindastes, marcas registradas da Estação, que foram fabricados nos Estados Unidos, no começo do século XX. E também uma máquina a vapor, de meados de 1800, que fornecia energia para os equipamentos do porto.

    O espaço é muito bem cuidado e oferece ao visitante bares e restaurantes, lanchonetes e sorveterias de frutas regionais, uma fábrica de cerveja artesanal (Amazon Bier), música ao vivo nos palcos deslizantes, lojas e feiras de artesanato e roupas, teatro e danças regionais, além de 500 metros de orla fluvial do antigo porto de Belém, de onde é possível apreciar o pôr do sol ou fazer um passeio de barco pela Baía do Guajará.

    Mangal das Garças

    Começamos a manhã de terça-feira visitando o Theatro da Paz (veja detalhes acima). De lá, pegamos um transporte por aplicativo e fomos para o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, que foi criado em 2005 com o objetivo de revitalizar uma área de cerca de 40 mil metros quadrados às margens do Rio Guamá.

    “A transformação foi cuidadosa. O pré-requisito era o aproveitamento máximo das condições paisagísticas da área. A idéia, representar as diferentes macrorregiões florísticas do Pará: as matas de terra firme, as matas de várzea e os campos, com sua fauna. Com lagos, aves, vegetação típica, equipamentos de lazer, restaurante, vistas espetaculares da cidade e do rio, o Mangal das Garças logo se tornou um dos pontos turísticos mais elogiados de Belém.” (Site)

    Dentre os espaços as serem visitados, destacam-se:

    Um local para passar algumas horas a observar os animais sendo alimentados, almoçar em um dos restaurantes e desfrutar da natureza e de um pouquinho da riqueza amazônica bem no centro urbano.

    A entrada no Mangal das Garças é franca, exceto nos espaços de visitação monitorada, 21 reais (2022) (Borboletário José Márcio Ayres, Farol de Belém, Viveiro das Aningas, e Memorial Amazônico), e está aberto ao público de terça a domingo, das 9 às 18 horas.

    Almoçamos no quiosque Pai d’Égua um peixe muito bom. De lá, pegamos um transporte por aplicativo e fomos conhecer a Casa das Onze Janelas e o Museu de Arte Sacra, que estão no Complexo Feliz Lusitânia, assim como o Largo da Sé e a Catedral, descritos também nesta postagem.

    Voltamos ao hotel e à noite fomos jantar no Espaço Cultural Apoena, um restaurante com ambientação típica da região e cardápio com pratos da culinária paraensense, ótima música ao vivo, atendimento cordial e preço justo. Na entrada, o recepcionista entrega um ticket, que deve ser devolvido na saída.

    Pedimos tacacá, bolinho de piracuí com redução de tucupi e filé marajoara com brusqueta de jambu. Tudo bem saboroso.

    Espaço Cultural Apoena
    Ambiente agradável
    Música de qualidade
    Tacacá
    Filé marajoara com brusqueta de jambu
    Bolinho de Piracuí

    Complexo Feliz Lusitânia

    O Complexo Feliz Lusitânia é um conjunto de monumentos e edificações portuguesas dos séculos XVII e XVIII tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, que formam um complexo turístico, arquitetônico e paisagístico na região onde surgiu a cidade de Belém, hoje bairro da Cidade Velha, uma região portuária e turística restaurada em 2002 pelo Governo do Estado do Pará. Compreende os seguintes pontos: o Forte do Presépio, a Praça Dom Frei Caetano Brandão, a Casa das Onze Janelas, o Museu de Arte Sacra e a Igreja de Santo Alexandre, e a Igreja da Sé (Catedral Metropolitana de Belém).

    Os museus do Complexo Feliz Luzitânia funcionam de terça a domingo, de 9 às 17 horas, e são gratuitos. Confira no site oficial.

    Praça Frei Caetano Brandão ou Largo da Sé

    A Praça Frei Caetano Brandão surgiu inicialmente como Largo da Matriz (1899), onde foi erguida a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça; depois, foi chamado de Largo da Sé, quando a Matriz foi elevada à Catedral (1906). Ela faz parte do conjunto arquitetônico, paisagístico e religioso do bairro Cidade Velha, denominado Feliz Lusitânia, núcleo inicial da cidade de Belém do Pará, tendo como primeira construção o Forte do Presépio. O atual nome da praça é uma homenagem ao quarto bispo do Pará, fundador da Confraria da Caridade e do hospital do Senhor Bom Jesus dos Pobres,1897.

    Frei Caetano Brandão

    Forte do Presépio ou Forte do Castelo

    Forte Castelo do Senhor Santo Cristo, ou simplesmente Forte do Castelo, é mais conhecido por seu nome inicial, Forte do Presépio. Trata-se de uma fortificação militar portuguesa criada em 1616 por Francisco Caldeira Castelo Branco na ponta de Mairi, à margem direita da foz do rio Guamá com a baía do Guajará. Sua construção marcou a fundação do então povoado colonial português “Feliz Lusitânia”, hoje, Belém.

    A edificação já foi arsenal de guerra, hospital e círculo militar. Atualmente é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, de onde é possível contemplar um lindo pôr do sol.

    Em 2002, foi inaugurado o Museu do Forte do Presépio, composto por dois circuitos: na área externa do Forte, o “Sítio Histórico da Fundação de Belém”, composto pela própria edificação com seus vestígios arquitetônicos e artilharia militar. Na área interna, o “Museu do Encontro”, sobre o processo milenar de ocupação da Amazônia, o encontro com os nativos e a conquista e colonização da região, iniciadas no século XVII. O acervo pertencente ao museu é formado por diferentes artefatos, como material lítico, cerâmicas marajoara e tapajônica, além da coleção de muiraquitãs, provenientes de vários sítios arqueológicos. Atualmente, esse rico acervo está aberto à visitação nas instalações do Museu de Arte Sacra.

    Catedral da Sé Nossa Senhora da Graça

    Catedral Metropolitana de Belém Nossa Senhora da Graça, ou simplesmente Catedral da Sé, começou a ser construída em 1719 e foi totalmente concluída em 1782, em estilo neoclássico e barroco, e foi a primeira igreja da região Norte. Atualmente é a sede da Arquidiocese de Belém (1906).

    Parte da arquitetura da catedral e belíssimos desenhos são atribuídos ao arquiteto italiano Antônio José Landi, assim como a fachada com as duas grandes torres, inspiradas em modelos de sua terra natal, a Bolonha. Os relógios da Catedral são importados da europa e foram instaladas no templo em 1772. A Catedral da Sé tem seu interior decorado por belíssimas pinturas criadas por renomados artistas europeus do século XVIII, localizados nos seus dez altares laterais, além de 28 candelabros de bronze, vitrais religiosos de grande valor artístico e o belíssimo órgão, da oficina do francês Aristide Cavaillé-Coll, instalado em 1882, sendo o maior órgão da América Latina.

    Após algumas intervenções, em 1882, a decoração interior da igreja sofreu uma reforma radical. O retábulo original, de autoria de Landi, no estilo rococó, incorporava uma pintura de Nossa Senhora das Graças de autoria do pintor setecentista português Pedro Alexandrino de Carvalho. Tanto o retábulo como a pintura estão atualmente desaparecidos e são apenas conhecidos por desenhos. O atual altar principal foi criado em Roma por Luca Carimini no século XIX.

    A igreja tem ainda um coral denominado Schola Cantorum (1735) e uma escola de música, considerada uma das primeiras escolas de música e corais do Brasil.

    A Catedral da Sé é o ponto inicial da procissão do Círio de Nazaré, uma das maiores manifestações religiosas do país.

    • A Catedral estava sendo preparada para o Círio de Nazaré

    Museu de Arte Sacra e Igreja Santo Alexandre

    O Museu de Arte Sacra (MAS) está localizado no edifício onde era originalmente o Colégio Jesuítico de Santo Alexandre, depois, Palácio Episcopal, e foi inaugurado em 28 de setembro de 1998. Integra o MAS a Igreja de Santo Alexandre (originalmente Igreja de São Francisco Xavier), construída pelos padres da Companhia, com participação do trabalho indígena, entre o fim do século XVII e início do século XVIII.
    A Igreja tem estilo barroco, herdado após várias modificações arquitetônicas e decorativas. Ela foi inaugurada em 21 de março de 1719.

    Com mais de 400 peças, o acervo do museu é composto por imagens e objetos sacros dos séculos XVIII ao XX, provenientes da Igreja de Santo Alexandre, de outras igrejas do Pará e de coleções particulares: pinturas, esculturas, gesso, prataria, objetos litúrgicos, púlpitos, dentre outros.

    O MAS está localizado na Rua Siqueira Mendes (antiga Rua do Norte), é considerada a primeira rua aberta pelos colonizadores na antiga vila.

    Vitral do séc. XVIII
    Pietá
    Mais de 300 peças no acervo

    Casa das Onze Janelas

    O Espaço Cultural Casa das Onze Janelas foi inaugurado em 2002, tornando-se um espaço dedicado à arte contemporânea brasileira. Seu acervo é formado por várias coleções de arte moderna, contemporânea e fotografia, que apresentam obras de artistas locais e nacionais. Destacam-se no acervo a Coleção Funarte e a Coleção Fotografia Paraense Panorama 80/90.

    A Casa das Onze Janelas está situada ao lado do Forte do Presépio, em um prédio construído no século XVIII, que foi originalmente residência de Domingos da Costa Bacelar. Posteriormente, foi adaptada como Hospital Real Militar, projeto também do arquiteto bolonhês Antonio Landi. Após a desativação do hospital, o espaço manteve funções militares, abrigando a 5ª Companhia de Guarda do Exército.

    Na execução do Projeto Feliz Lusitânia, que visa a revitalização do núcleo histórico de Belém, o espaço foi restaurado e adaptado ao uso museológico.

    Casa das Onze Janelas
    Casa das Onze Janelas
    Casa das Onze Janelas
    Casa das Onze Janelas

    Na manhã seguinte, quarta-feira, pegamos um transporte por aplicatico e fomos ao Parque Goeldi.

    Museu Paraense Emílio Goeldi e Parque Zoobotânico

    O Museu Paraense Emílio Goeldi e o Parque Zoobotânico funcionam de quarta-feira a domingo, de 9 às 16 horas (a bilheteria e o portão de entrada fecham às 15 horas). O ingresso custa apenas 3 reais (2022). Recebe anualmente cerca de 400 mil visitantes.

    O Museu foi fundado em 1866, portanto há 156 anos. Trata-se de uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação, que dedica suas atividades ao estudo científico dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como à organização, manutenção e divulgação de conhecimentos e acervos de referência mundial relacionados à região. É um dos mais antigos, maiores e populares museus brasileiros. Os cientistas Emílio Goeldi (1859-1917), Jacques Huber (1867-1914) e Emília Snethlage (1868-1929) – a primeira mulher a dirigir uma instituição científica na América do Sul – são as principais referências do Museu.

    O Centro de Exposições foi reaberto ao público em 28/9/22, depois de passar por uma reforma, com a exposição “Diversidades Amazônicas”, com mais de 300 peças em instalações interativas e experiências imersivas. Belíssima.

    O Museu é responsável também pelo primeiro parque zoobotânico do país, com uma área de 5,4 hectares, bem no centro urbano de Belém. O Parque Zoobotânico do Museu Goeldi foi fundado em 1895, sendo o mais antigo do Brasil no seu gênero. Além de abrigar uma significativa mostra da fauna e flora amazônicas, o Parque é o principal local das atividades educativas da instituição. Algumas instalações, como o Aquário, estão passando por reforma.

    Uma enorme variedade de plantas, vitórias-régias e árvores centenárias como a samaúma, oferecem sombra e muita história. Aves, tartarugas e até onça pintada e bicho-preguiça atraem crianças e adultos. Passear pelo parque é uma delícia, alivia o calor e enche os olhos com tanta beleza.

    Do Museu Emílio Goeldi, fomos para o Mercado Ver-o-Peso, tombado como Patrimônio Cultural.

    Complexo do Ver-o-Peso

    O Complexo do Ver-o-Peso é um conjunto arquitetônico e paisagístico da região portuária de Belém, que teve início ainda em 1625 com a construção do posto fiscal e comercial “Casa de Haver-o-Peso”. Passou por várias intervenções ao longo dos anos e foi tombado pelo IPHAN em 1977. O complexo compreende uma área de 35 mil m², com uma série de construções históricas que seguem a tendência francesa da art nouveau da belle époque, que inclui:

    Mercado Ver-o-Peso – Mercado de Ferro

    Mercado Ver-o-Peso

    O Mercado Ver-o-Peso é um mercado público instalado na zona portuária de Belém, às margens da Baía do Guajará, onde são vendidos em feira-livre os mais variados gêneros alimentícios (farinhas, legumes, frutas, pescados), além de roupas, ervas medicinais, artesanatos e outros produtos locais.

    Inaugurado em 1901 (substituindo a Casa Haver-o-Peso – 1625-1899, que era um importante entreposto comercial e fiscal), o Mercado foi projetado e construído por Henrique La Rocque, seguindo a tendência estética francesa da art nouveau, na forma de um dodecágono, medindo 1.197 m², com estrutura metálica em zinco veille-montaine (trazida pré-fabricada da Inglaterra e de Nova Iorque, transportada fluvialmente para Belém).

    O mercado faz parte do Complexo do Ver-o-Peso (1625), formado, dentre outros, pelo Mercado de Ferro e de Carne, pela Praça do Pescador e pela doca de embarcações, tombado pelo IPHAN, em 1977. É considerado um dos mercados públicos mais antigos do país, o maior da América Latina, e foi eleito uma das maravilhas do estado do Pará e uma das 7 Maravilhas do Brasil.

    O Mercado Ver-o-Peso é um importante polo turístico, econômico e cultural de Belém. Depois de apreciar tanta diversidade e de comprar cerâmicas marajoaras e souvenir como o muiraquitã, paramos na praça de alimentação para degustarmos a culinária regional nortista: peixe frito com açaí, pato no tucupi, maniçoba, vatapá e tacacá. Aproveitamos também para experientar as frutas regionais em sucos, sorvetes e bombons recheados (que são mais baratos em outros pontos turísticos) – açaí, bacuri, cupuaçu, tucumã, uxi, murici, araçá, além da castanha do Pará (conhecida no mundo todo como castanha do Brasil, o que não agrada aos paraenses).

    Lamentavelmente, como em todo lugar turístico no mundo, aqui é um ponto de muitos roubos e furtos de carteiras e celulares, todo cuidado é pouco! Dessa vez, saímos ilesas, mas da primeira vez que estive em Belém, minha amiga teve seu colarzinho de ouro arrancado de seu pescoço.

    Bolonha do Peixe
    Pescados diversos
    Dourada
    Mercado da Carne
    Mercado da Carne
    Frutos da região norte
    Maniva pronta para consumo
    Moagem da maniçoba
    • Mercado do Peixe
    Vatapá com jambu
    Açaí branco
    Tacacá

    Perto dali estão a Praça do Relógio e a Praça Dom Pedro II, que também fazem parte do Complexo.

    Praça do Relógio

    A Praça Siqueira Campos (na Avenida Portugal), também chamada de Praça do Relógio, ficou assim conhecida por abrigar um enorme relógio de 12 metros de altura, que abriga quatro luminárias. Ele foi construído na Inglaterra em 1930 pela empresa J.W. Benson, e doado pelo intendente Antonio Faciola.

    O relógio está parado por falta de manutenção, mas ainda é símbolo da passagem de épocas e palco de manifestações políticas, um ícone da cidade.

    Praça do Relógio ou Praça Siqueira Campos

    Praça Dom Pedro II

    A Praça Dom Pedro II está localizada no Largo do Palácio, palco de importantes eventos públicos ao longo dos séculos. Foi a primeira praça construída na cidade, em 1772, onde foram plantadas as primeiras mangueiras, que fariam mais tarde Belém ser conhecida como a “Cidade das Mangueiras”. Ela está localizada no bairro da Cidade Velha, em frente ao Palácio Antônio Lemos. Recentemente, foi totalmente requalificada: pisos em pedras portuguesas, lagos, pontes, bancos, paisagismo.

    A praça foi urbanizada no início do século XX, na administração do Intendente Antônio Lemos. O calçamento, que fica ao redor do monumento central em homenagem ao General Gurjão e ao redor da praça, é todo feito com mosaicos de pedras portuguesas. Seu paisagismo, com caminhos internos sinuosos, remete aos jardins ingleses e contrasta com a flora amazônica. Além da estátua na área central, a praça guarda ainda o marco balizador luso-hispânico e os monumentos em homenagem ao marinheiro brasileiro e ao soldado brasileiro. Ainda pode ser vista na praça a charmosa edificação da Casa da Guarda.

    O monumento ao General Gurjão é uma homenagem aos paraenses que colaboraram para a vitória da Tríplice Aliança na Guerra contra o Paraguai. Do monumento, avista-se a Prefeitura de Belém, a Assembleia Legislativa e a praça Siqueira Campos (conhecida como Praça do Relógio).

    Homenagem ao General Gurjão
    Paisagismo requalificado recentemente

    Palácio Antônio Lemos

    O Palácio Antônio Lemos (inicialmente chamado “Palacete Azul” e “Casa no Largo do Palácio”), foi construído em 1860 por José da Gama Abreu e, posteriormente, modificado por Antonio Landi, em 1883. Tombado pelo IPHAN, desde 1994, funciona como sede oficial do Poder Municipal e abriga também o Museu da Arte de Belém. É um dos únicos prédios históricos de Belém que mantém sua função original desde a sua inauguração. Estava fechado para reforma e não foi possível visitá-lo.

    Prefeitura e Museu de Arte de Belém funcionam no Palacete Azul (em reforma)

    Orla Portal da Amazônia

    No final da tarde, partimos para a Orla Portal da Amazônia, que é fruto de um projeto maior da prefeitura de Belém que englobava a macrodrenagem da Estrada Nova, uma região pobre da cidade, que sofria com a falta de infraestrutura e saneamento e carecia de área de lazer para a população. Com a criação da Orla, que inclui quadras de esporte, áreas com equipamentos de ginástica, restaurantes, quiosques, parque infantil, pista de caminhada, ciclovia e estacionamento, abriu-se uma grande janela para o Rio Guamá, onde turistas e locais podem usufruir das belezas naturais da região. A área tem uma extensão de 6 km e vai da Universidade Federal do Pará até o Parque Zoobotânico Mangal das Garças.

    Área de lazer
    Calçadas, quiosques
    Espaço de contemplação
    Pôr do sol de tirar o fôlego

    O tempo começou a virar e corremos para pegar um transporte por aplicativo até o restaurante, pois já era noite. Foi a conta de entrar no carro e caiu um temporal. Chegamos ao restaurante Xícara da Silva, no Bairro Reduto, um dos mais valorizados da cidade. Comida boa, ambiente aconchegante e um pouco mais caro que a média. De lá, voltamos para o hotel.

    Espaço aconchegante no Xícara da Silva
    Comida e bom atendimento

    No dia seguinte, fomos a pé até a praça Ruy Barbosa, onde está a Igreja da Santíssima Trindade; às praças Barão do Rio Branco e Amazonas, e ao Espaço São José Liberto, onde fica o Museu de Gemas.

    Igreja Matriz da Santíssima Trindade

    A Igreja de Nossa Senhora da Santíssima Trindade ou Igreja Matriz da Santíssima Trindade foi erguida em 1814, por José Abraches em Belém. Circundando a Igreja está a Praça Ruy Barbosa, onde há um busto do intelectual e abolicionista. Em frente, está a praça Barão do Rio Branco, com um busto seu ao centro.

    Igreja Matriz da SS. Trindade
    Interior simples e acolhedor
    Praça Ruy Barbosa
    Praça Barão do Rio Branco

    Caminhamos um pouco mais e chegamos à Praça Amazonas, onde está o Espaço São José Liberto.

    Espaço São José Liberto

    O Espaço São José Liberto, ou Polo Joalheiro (inicialmente Convento de São José) tem sua origem na capela construída ali em 1749 pelos frades capuchos de Nossa Senhora da Piedade, que deu origem ao Convento de São José. Com a expulsão dos Jesuítas do Brasil, o edifício passou por várias funções, como olaria, quartel, depósito de pólvora e hospital.

    Remodelado em 2002, passou a ser um espaço dedicado à cultura e às artes. Hoje, abriga uma ourivesaria, que compõe o polo joalheiro; a “Casa do Artesão”; o Museu de Gemas do Pará; o Anfiteatro Coliseu das Artes; o Memorial da Cela; e o Jardim da Liberdade; além da Capela São José, que deu origem ao espaço como um todo.

    A entrada em todos os espaços é franca. Apenas o ingresso para o Museu de Gemas é pago e a visita é monitorada (4 reais em setembro/2022). Não é possível fotografar. Recomendo a visita.

    Espaço São José Liberto – Praça
    Capela São José
    Imagem de Nossa Senhoras de Nazaré
    Anfiteatro Coliseu das Artes
    Jardim da Liberdade
    Jardim da Liberdade

    Museu de Gemas

    O Museu de Gemas abriga, além das exposições, um Laboratório Gemológico e uma ourivesaria com oficina de jóias. O espaço conta com uma exposição permanente de minerais extraídos no estado do Pará, como: diamantes, ametistas e turmalinas. O acervo conta ainda a história da ocupação das mineradoras e das riquezas do solo amazônico.

    Duas salas exibem gemas encontradas, algumas delas, somente no Pará, como um quartzo tricolor, da Serra dos Martírios, no sudeste paraense. O museu também apresenta artesanato tapajônico e marajoara, como estatuetas, urnas funerárias, machadinhas, cunhas e pontas de flechas em quartzo e uma coleção de muiraquitãs.

    No saguão de entrada, há uma enorme drusa de quartzo hialino, pesando 2,5 toneladas, encontrada no Vale do Rio Araguaia.

    Museu de Gemas – quartzo hialino de 2,5 toneladas

    Depois de visitarmos todos os espaços e comprarmos lembrancinhas nas lojas (que têm preços melhores que em outros pontos turísticos), demos uma volta pela Praça Amazonas, em frente ao Espaço São José Liberto, e depois pegamos um transporte por aplicativo e fomos almoçar no Boulevard Shopping, para fugirmos do calor intenso.

    À noite, fomos ao Theatro da Paz para assistir a Orquestra Sinfônica, encerrando o dia em grande estilo.

    Orquestra de Cordas
    Orquestra Sinfônica

    Na manhã do dia 30 de outubro, último dia em Belém, fizemos o check-out, deixamos as malas no hotel e fomos bater perna novamente por mais algumas igrejas e claro, fomos à Basílica de Nazaré, um dos principais cartões postais da cidade.

    Basílica Nossa Senhora de Nazaré

    A Basílica N. Sra. De Nazaré, também chamada de Basílica Santuário ou ainda Santuário da Rainha da Amazônia, é responsável por uma das maiores festas religiosas do mundo, o Círio de Nazaré. O evento é realizado desde 1793 e reúne cerca de dois milhões de devotos todo ano em romarias fluviais e terrestres, procissões e cultos, começando sempre no segundo domingo de outubro e se estendendo por 15 dias. Após ficar exposta ao público durante uma semana, na praça do Santuário, os fieis participam do Recírio, quando a imagem original de N. Sra. de Nazaré retorna ao altar-mor (chamado de Glória) da Basílica, onde permanece até o Círio do ano seguinte. Em 2004, o Círio de Nazaré foi declarado pelo IPHAN como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial.

    A imagem original é uma escultura em estilo Barroco confeccionada em madeira, com 28 cm de altura e apresenta traços de uma senhora portuguesa. Há diferentes versões para a história, mas a mais aceita é a de que a imagem foi encontrada por Plácido José de Souza, no ano de 1700, perto do igarapé Murutucu, e que ele a levara para casa. No dia seguinte, a imagem havia desaparecido e Plácido a teria encontrado no mesmo local onde a tinha visto pela primeira vez. O mistério se repetiu durante dias. No entendimento de Plácido, era sinal de que a imagem deveria permanecer naquele mesmo local e construiu uma pequena capela para abrigar a santa.

    A Basílica Santuário começou a ser erguida em 1909 no local onde a imagem foi encontrada, substituindo a capela que havia ali. Em 1992, ela foi tombada pelo Patrimônio Histórico do Estado do Pará. O templo é marcado por diversos estilos arquitetônicos, prevalecendo o neoclássico e o eclético. Em sua fachada, apresenta as inscrições em latim “Virgem de Nazaré Mãe de Deus” e “Salve Rainha Mãe de Misericórdia”, duas torres com 42 metros de altura, e nove sinos eletrônicos. No interior da igreja, que tem 62 metros de comprimento; há cinco naves; 28 medalhões estampados acima das 32 colunas laterais, que representam momentos significativos da vida de Maria, desde seu nascimento até a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes. Além de uma capela, um batistério, um belíssimo órgão, estátuas em mármore de Carrara e dez altares laterais, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus, ao Imaculado Coração de Maria e a outros santos, santas e anjos. No altar-mor (ou Glória), encontra-se a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, feita em madeira e revestida com lindo manto branco, substituído por um novo a cada Círio.

    No dia 19 de julho de 1923, a então Paróquia Nossa Senhora de Nazaré do Desterro é elevada à Basílica Menor, a terceira erguida no Brasil e a primeira do norte do Brasil, em reconhecimento à sua importância espiritual e histórica para o povo da região.

    Independente da religião, a visita ao Santuário de Nazaré é cheia de história, cultura e nos ajuda a compreender a fé do povo paraense.

    Em frente à Basílica está a Praça Justo Chermont, também chamada de Largo de Nazaré, por causa da ermida construída no século XVII, para o culto à milagrosa Santa Nossa Senhora de Nazaré.

    Da Basílica, ainda fomos conhecer algumas praças e igrejas históricas da cidade. Por fim, fomos almoçar novamente no Point do Açaí, já com as malas, pois de lá nos dirigimos para o aeroporto.

    Praça das Mercês ou Praça Visconde do Rio Branco

    A Praça Visconde do Rio Branco ou Praça das Mercês, recentemente restaurada, foi testemunha de muitas histórias, como a Revolta da Cabanagem, início do séc. XVII. Nela, há uma estátua em homenagem ao médico e político Gama Malcher e em frente está a Igreja e o Convento das Mercês.

    No dia em que estivemos ali, havia uma feira popular, e foi difícil apreciar e fotografar o lugar.

    O monumento ao médico José da Gama Malcher, paraense nascido em Monte Alegre-PA, foi inaugurado em 1890. As Estátuas foram feitas em Bruxelas e são obras do escultor belga Armand-Pierre Cattier. O pedestal é de pedra da localidade de Ecaussinnes, aparelhada e trabalhada pelo marmorista-escultor Leon Trigalet.

    Em sua base, está a escultura de um homem que representa o povo, esculpindo na pedra o nome do homenageado, médico, filantropo e político, que esteve à frente do combate ao grande surto da febre amarela ocorrido no Pará em meados de 1871. José da Gama Malcher também foi presidente da província e da Câmara Municipal de Belém.

    Monumento José da Gama Malcher
    Praça Visconde do Rio Branco

    Igreja de Nossa Senhora das Mercês

    Para mim, uma das igrejas mais bonitas de Belém, é a Igreja das Mercês, que está precisando ser restaurada com urgência, pois encontra-se em estado crítico de conservação.

    As obras da construção da Igreja e do Convento das Mercês tiveram início em 1640, em taipa, por dois religiosos da Ordem Calçada de Nossa Senhora das Mercês, Frei Pedro de La Rua Cirne e Frei João da Mercês. Em 1753, foi reconstruída em alvenaria de pedra, com projeto do arquiteto italiano Antônio José Landi em estilo barroco primitivo.

    A Ordem dos Mercedários permaneceu no Pará até 1777, quando foi expulsa pela Coroa Portuguesa. No século XIX, o conjunto esteve abandonado e o templo fechado ao culto, tendo servido como depósito de munições dos legalistas, que lutaram na revolta da Cabanagem. Nesse período, muitas das obras foram perdidas. No início do século XX, D. Santino deu início às obras de recuperação e a igreja foi reaberta em 1913. Em 1978, um incêndio destruiu grande parte das dependências do Convento das Mercês, mas a Igreja foi pouco afetada.

    Igreja das Mercês
    Interior da Igreja – uma das mais bonitas da cidade

    Igreja de Nossa Senhora de Sant’ana

    A Igreja de Santana está localizada na Praça Maranhão, no centro histórico da cidade, foi erguida em 1727 e foi a segunda paróquia de Belém na época colonial. Ela foi tombada como patrimônio histórico pelo IPHAN em 1985, embora tenha sofrido várias intervenções ao longo dos séculos. A igreja tem um precioso acervo, além de uma imagem de São Pedro, réplica da de Roma.

    Em 1761, foi iniciada a construção da atual igreja de Santana, com projeto de Antônio José Landi, com características neoclássicas e abóbada em ogiva, encimada por lanterna redonda coroada por cúpula e cruz, raridades nas igrejas brasileiras. A nave é em forma de cruz, o teto abobadado tem pintura floral e suas paredes, dos altares e da capela-mor são revestidas de mármore. Reformas realizadas em 1840 e 1855 alteraram bastante sua fachada, comprometendo inclusive sua estrutura, pois demoliram as colunas laterais e ergueram duas torres na sua frente. Em 1940 a fachada foi restaurada. Apesar das alterações feitas no século XIX, a igreja ainda é uma referência da época de sua construção.

    • Igreja de Santana

    Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

    A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi erguida na segunda metade do século XVII, inicialmente, como uma pequena ermida, erguida pelo esforço dos escravos e pretos, e por eles frequentada. Em 1725, foi demolida devido a seu estado precário e reconstruída no mesmo ano, com as mesmas dimensões. Por não comportar o número de fieis, foi novamente demolida e reconstruída após campanha para angariar fundos para a construção de uma igreja maior e mais confortável. Mais um projeto do arquiteto Antônio José Landi, que também contribuiu com dinheiro, assim como o governador Manoel Bernardo de Melo.
    A igreja merece destaque entre os edifícios do Brasil-Colônia, principalmente por ainda conservar, na fachada que dá para a rua Aristides Lobo, as janelas com rótulas de urupêma, que eram raras no Pará e demonstram a influência árabe nos costumes portugueses. Observa-se também o piso de lajotas vermelhas dos corredores laterais, uma reminiscência do tempo das ermidas. Infelizmente, o pavimento primitivo da nave foi substituído por mosaicos modernos.

    A igreja foi tombada como patrimônio histórica pelo IPHAN em 1985. Faz parte também do patrimônio das irmandades de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito os ricos castiçais e lanternas de prata maciça, uma preciosa tela, representando a Virgem Maria, e documentos manuscritos destas confrarias.

    Igreja erguida pelos escravos
    Interior simples e bonito

    Praças de Belém

    As praças de Belém são consideradas das mais belas do país, com seus monumentos, coretos e requintado paisagismo. Esses espaços públicos oferecem melhor qualidade de vida à população e ajudam a escrever a história local pois são palcos de manifestações populares e políticas. As praças mais antigas localizam-se no Centro Histórico da capital e são amplamente frequentadas pela população local e por turistas.

    Além dos pontos turísticos citados anteriormente, há muitas outras praças, parques e monumentos em Belém que merecem uma visita. Caminhando pela cidade, passamos por alguns deles e deixo aqui um breve registro.

    Praça da Bandeira

    A Praça da Bandeira está localizada no centro da cidade e é uma homenagem ao símbolo nacional, a bandeira do Brasil, e já foi conhecida como Praça Saldanha Marinho e Largo do Quartel, por ter sido levantado ali o Quartel Geral do Exército, para abrigar a tropa Colonial.

    Praça da Bandeira
    QG

    Praça dos Estivadores

    A Praça dos Estivadores foi criada no início do século XX e é uma homenagem aos trabalhadores do porto de Belém, que se reuniam sempre nesse local. O obelisco central é o marco comemorativo do Primeiro Congresso de Pescadores do Pará, realizado em 1925.

    Praça dos Estivadores
    Edifício da Alfândega ao fundo – Cia. das Docas

    Praça Waldemar Henrique

    A Praça Waldemar Henrique foi inaugurada em 1999 no bairro do Comércio em comemoração aos 383 anos da cidade. O projeto é do arquiteto Edmilson Rodrigues e remete às criações musicais do homenageado, maestro Waldemar Henrique: o palco representa um piano, o parque infantil representa um violão, a calçada de pedra portuguesa formam as notas musicais da composição “O canto do Uirapuru”. Sobre a base onde está a efígie do homenageado, estão as esculturas de Matinta Perera, do Boto, da Iara, do Caboclo Falador, do Uirapuru, dentre outros personagens das lendas amazônicas cantadas em suas obras. Já a concha acústica remete a uma cuia de tacacá.

    Todo esse regionalismo, no entanto, está abandonado, com pichações e lixo para todo lado. Lastimável.

    Praça Waldemar Henrique
    Praça Waldemar Henrique

    Terminal Hidroviário

    O terminal hidroviário de passageiros funciona no armazém 9 do Porto de Belém, que foi fundado em 1909, à margem direita da Baía de Guajará, a aproximadamente 120 km do oceano Atlântico. O terminal passou por uma grande reforma em 2013 para dar mais conforto e comodidade aos cerca de 500 mil passageiros que passam por ali todos os anos.

    Boa infraestrutura no terminal de passageiros
    Terminal Hidroviário

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