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    Ruta de Los Salares – Deserto de Atacama (Chile)

    O tour Ruta de Los Salares que contratamos é repleto de atrativos: Mirador Volcán Licancabur, Mirador Quebrada Quepiaco, Mirador Salar de Pujsa, Monjes de La Pacana, Salar y Laguna de Tara, Mirador Salar de Loyoques (Salar de Quisquiro). Este foi nosso quinto destino no Deserto de Atacama, no dia 7 de novembro de 2023.

    O passeio foi realizado no período da manhã e de parte da tarde. Por volta das 7h30, o guia passou para nos pegar no Hotel Don Raúl, em São Pedro de Atacama, onde estávamos hospedados. O tour foi contratado da Lucas Carvalho Turismo. Veja detalhes aqui.  

    Saímos de São Pedro de Atavama pela Ruta 27, toda asfaltada e em boas condições. Percorremos cerca de 133 km na ida e mais 133 km na volta. A divisa com a Argentina está a pouco mais de 20 km de Mirador Salar de Loyoques, nosso último ponto de parada. Outra fronteira que chegamos bem próxima foi a da Bolívia: Paso Fronterizo Hito Cajón (na Ruta 27, no Chile), a apenas 5 km da divisa. A ruta 27 é uma das rodovias mais altas da América do Sul, atingindo 4.831 metros de altitude.

    Na saída de São Pedro de Atacama (no trevo), início da Ruta 27, paramos em uma loja de conveniência no posto de gasolina (único da região), para quem quisesse comprar alguma coisa e ir ao banheiro, última chance, pois é o único tour que não tem banheiro em nenhum local. Daqui para frente, só o chamado “banheiro inca”, tendo a natureza como testemunha. É uma questão que precisa ser bem administrada, principalmente pelas mulheres, pois a recomendação, devido à altitude, é beber muita água, mas a consequência de beber água, todos sabem. Apesar deste inconveniente, não tivemos problema.

    Posto de gasolina na saída de São Pedro de Atacama

    Alguns dos pontos visitados estão dentro da Reserva Nacional los Flamencos, que tem uma área de aproximadamente 740 km² e uma diversidade de atrações, incluindo montanhas, salares, formações rochosas, lagoas, áreas arqueológicas, flora e fauna, e é dividida em sete seções:

    Cada uma das seções tem altitudes e condições climáticas diferentes, além de fauna e flora diversificadas. É possível encontrar vicunhas, guanacos, alpacas, llamas; raposas; pequenos roedores como viscachas e chinchilas; andorinhas; falcões; gaivotas andinas; condores; nhandus (parentes das emas), flamingos; cervos; dentre outras espécies. A fauna é composta principalmente por árvores de pequeno porte como a pimienta, a chanhar e o algarrobo; arbustos como tolas, llaretas, cachiyuyos e paja brava; e plantas como a anhanhuca, a rica rica e a brea, além de cactos, alguns gigantes.

    No dia anterior ao tour, a agência envia as instruções com o nome do guia, o horário que a van passará no hotel, dicas de vestuário e dá outras informações pertinentes.

    Neste passeio é recomendado levar protetor solar e labial, óculos de sol, boné ou chapéu, calçado confortável, água (1,5 litro no mínimo), agasalho (devido à altitude e o vento frio). Esses itens acima são essenciais em todos os passeios.

    O tour pela Ruta de los Salares pode ser feito em veículo próprio ou com alguma agência de turismo. Fazer com uma agência foi bem interessante. Fizemos novas amizades, não nos preocupamos com nada e tivemos muitas informações da região, embora seja o passeio mais fácil para se fazer por conta própria, pois quase todos os atrativos estão às margens da Ruta 27. O único local fora foi Monjes de La Pacana. Saímos da rodovia e percorremos um trecho em estrada de rípio (terra/areia/cascalho). Atenção para não entrar em algum local impróprio e atolar na areia. Outra característica desse tour é não precisar pagar ingresso para conhecer os pontos visitados.

    Como comentei no post sobre São Pedro de Atacama, as agências recomendam fazer primeiro os passeios de baixa altitude e ir aumentando gradativamente para se acostumar, mas nem sempre isso é possível. Neste passeio, a altitude passa de 4 mil metros, desta forma, é interessante que seja realizado nos últimos dias em que estiver na região.

    Mirador Volcán Licancabur

    O Mirador do Vulcão Licancabur é também o Mirador do Vulcão Juriques. Foi nossa primeira parada neste tour. Percorremos em torno de 30 km a partir de São Pedro de Atacama e chegamos neste local por volta das 8h20. O Mirador fica no acostamento da Ruta 27 e a aproximadamente 4 mil metros de altitude.

    Vulcão Licancabur, Chile (à esquerda) e vulcão Juriques, Bolívia (à direita)
    Vulcão Licancabur (à esquerda) e vulcão Juriques (à direita) – Fota tirada na volta do tour
    Outros vulcões na outra margem da Ruta 27

    Enquanto apreciávamos a paisagem e tirávamos muitas fotos, o guia preparava nosso café da manhã. As refeições servidas durante os passeios são sempre muito saborosas e caprichadas na qualidade e na aparência. Destaque para o pão fresquinho produzido pela padaria La Franchuteria, em São Pedro.

    Paisagem à direita da estrada
    Vulcões Licancabur e Juriques ao fundo, à esquerda da estrada
    Café da manhã sendo preparado
    E assim começou nosso dia

    O vulcão Licancabur é um dos vulcões mais conhecidos no Atacama, junto com o Lascar, único ativo. Na língua kunza, dialeto dos atacamenhos, Licancabur significa “a montanha do povoado” (lickan= povoado, ckabur= montanha). Este vulcão tem 5.916 metros de altura e está localizado bem na fronteira do Chile com a Bolívia. É considerado pelas culturas nativas do altiplano como uma montanha sagrada e protetora. Os mais aventureiros podem fazer um tour para subir o vulcão.

    Vulcão Licancabur

    O vulcão Juriques, que está ao lado do Licancabur, está no lado da Bolívia. Aparenta ser bem mais baixo, mas está a 5.704 metros, apenas 200 metros a menos.

    Além do visual, conhecemos uma lenda envolvendo os dois vulcões irmãos (Licancabur e Juriques), filhos do vulcão Lascar: “Licancabur, um dia se apaixonou pela montanha Quimal e era correspondido. Mas seu irmão, Jurique, também a amava, iniciando assim uma disputa entre os dois. A briga não agradou o pai dos vulcões: Lascar, que para acabar com a situação, lançou bolas de fogo gigantes em cada um. O golpe veio a formar a famosa cratera de Licancabur, e em Jurique, arrancou-lhe o topo, deixando seu cume reto. Também separou os dois de Quimal, fazendo crescer entre eles a Cordilheira Domeyco, com picos tão altos que chegam a 3.300 metros de altitude. O pai pensou que assim terminaria com o assunto, mas o amor às vezes é maior que qualquer obstáculo: todos os anos, no solstício de verão, as sombras de Licancabur e Kimal se unem em uma só, simbolizando o amor eterno dos dois.”

    Do mirador dos vulcões, seguimos pela Ruta 27 por mais 12 km, passando ao lado da Aduana Chilena (Paso Fronterizo Hito Cajón), que fica a 5 km da Bolívia.

    Ruta 27 sentido Argentina e Bolívia – ao lado do Mirador dos vulcões Licancabur e Juriques
    Paso Fronterizo Hito Cajón (Chile)

    Seguimos por mais 35 km até o Mirador Quebrada Quepiaco.

    Mirador Quebrada Quepiaco

    O Mirador Quebrada Quepiaco fica à margem da Ruta 27, onde se pode estacionar o carro para observar a Lagoa de Quepiaco, também conhecida como Vegas de Quepiaco.

    Mirador Quebrada Quepiaco
    Margem esquerda da Ruta 27, Mirador Quebrada Quepiaco

    Parada para apreciar a paisagem, tirar muitas fotos e fazer uma pequena caminhada próxima da lagoa. Daqui é possível avistar algumas aves e animais. Além do mirante, não há qualquer infraestrutura no local.

    Lagoa Quepiaco
    Lagoa Quepiaco
    Lagoa Quepiaco

    O Rio Quepiaco, que está localizado a uma altitude de aproximadamente 4.500 metros acima do nível do mar, dá forma e vida ao pântano que leva seu nome e tem uma superfície de 28 hectares. A vegetação desse lugar é típica de vega e tem um declive que drena em direção ao Salar de Pujsa.

    A parada seguinte foi no Mirador Salar de Pujsa, distante 10 km do Mirador Quebrada Quepiaco.

    Mirador Salar de Pujsa

    O Mirador Salar de Pujsa está a mais de 4.500 metros de altitude, fica às margens da Ruta 27, onde se pode estacionar o carro para observar o lago, chamado de Laguna Diamante.

    A próxima parada foi no Mirador Pacana Caldera (Salar de Aguas Calientes), distante 23 km do Mirador Quebrada Quepiaco. O Salar de Tara está pouco à frente.

    Salar de Aguas Calientes e Salar de Tara

    A área é composta por duas salinas: Salar de Tara e Salar de Aguas Calientes, atingindo uma altitude de até 4.860 metros – a maior altitude do passeio.

    No Salar de Tara é possível encontrar uma grande quantidade de flamingos, vicunhas, raposas culpeo, cuy das montanhas, chululos, caitíes, gaivotas andinas, chorlos de puna,  patos jergón e gansos guallata. A flora é constituída por bofedales, paja amarilla, coirón, tola de agua e tola amaia, que pode ser vista nas encostas dos morros e montanhas.

    Nós fizemos duas pequenas paradas, a primeira, no Mirante Pacana Caldera.

    A segunda, parada foi um pouco adiante, no acostamento da estrada.

    Salar de Tara
    Salar de Tara

    Seguimos por mais 22 km até o Mirador Salar de Loyoques.

    Mirador Salar de Loyoques

    O Mirador Salar de Loyoques permite uma bela vista do Salar de Loyoques, também conhecido como Salar de Quisquiro. Tem uma área de 80 km² e uma altitude média de 4.430 metros, sendo o cume do Cerro Purifican a 5.285 metros o ponto mais alto desta bacia. A salina está localizada dentro da caldeira La Pacana, ao sul de Salar de Tara.

    Foi nosso último destino na Ruta 27, no tour Ruta de Los Salares.

    Chegamos neste ponto por volta de 12 horas, um pouco mais de 4 horas desde a saída de São Pedro de Atacama. Ainda não era o fim do passeio, pois faltavam o Monjes de La Pacama (onde almoçamos) e mais um ponto onde pudemos colocar a mão na água para sentirmos sua temperatura, no Salar de Águas Calientes. Estas duas paradas poderiam ter sido feitas antes, mas por uma questão de estratégia do guia, foi feito assim.

    Salar de Águas Calientes

    Já havíamos passado no Mirante deste Salar na ida, mas na volta, paramos em um local diferente, onde chegamos à margem de um fervedouro. O cheiro de enxofre no local é mais forte, mas suportável. A temperatura da água é bem alta, mas dá para colocar a mão.

    Foi uma parada bem rápida, apenas para termos essa experiência e tirarmos mais fotos.

    Monjes de La Pacana

    Monjes de La Pacana também pertence à Reserva dos Flamingos, seção Salar de Tara – Salar de Aguas Calientes. Foi a última parada, já no caminho de volta para São Pedro de Atacama.

    Monjes de La Pacana – Reserva dos Flamingos – seção Salar de Tara – Salar de Aguas Calientes

    É uma região desértica com dunas de areia e pedras gigantes moldadas pela erosão do vento, algumas parecidas com monges.

    Monjes de La Pacana

    Este também foi o local escolhido pelo guia para preparar nosso almoço. Ele estacionou a van em uma pequena sombra entre as rochas e, enquanto preparava a mesa do almoço e um delicioso macarrão, nós aproveitamos para explorar a região ao redor.

    Mesa do almoço
    Van estacionada estrategicamente para o almoço

    No início do post eu disse que todo este passeio poderia ser feito por conta própria. É verdade, embora esta região de Monjes de La Pacana requeira muita atenção, pois é um deserto muito arenoso. Existe um caminho de rípio por onde as vans passam e veículos mais altos passam sem dificuldade, entretanto, se sair da área demarcada, provavelmente vai atolar. Recomendo estar com mais carros por segurança e observar bem o caminho para voltar depois. Alguns aventureiros gostam de testar seus carros 4×4 nesta região saindo das áreas demarcadas, criando seus próprios caminhos, o que pode ser arriscado, além de estar infringindo regras de preservação do local.

    Esta região é bem grande e não foi possível explorar tudo, não sei se alguma agência percorre distâncias maiores.

    ** Não costumo colocar fotos ou vídeos no blog que não sejam produzidos por nós, mas vi no Youtube um vídeo feito por drone que mostra a beleza do local em detalhes. O vídeo é do canal Mundo a Explorar.

    Deste ponto, seguimos direto para São Pedro de Atacama, onde chegamos em torno de 16 horas. Descansamos, jantamos e nos preparamos para o Tour Astronômico, feito naquela noite.

    Comentário Final

    A Ruta de Los Salares é um passeio incrível, com belas paisagens. Apesar de rodarmos quase 300 km ida e volta, não é cansativo, pois fizemos muitas paradas.

    De uma maneira geral acho que deveria ter mais placas indicativas com o nome dos pontos de observação e algumas características, ajudaria muito as pessoas que não estão com agências. Escrever sobre este roteiro deu bastante trabalho na hora de identificar as fotos conforme o local, pois havia poucas referências.

    Para quem gosta de conforto, no caso específico, banheiro, é um ponto importante a ser observado. Depois do posto de combustível não há mais ponto de apoio ao turista na Ruta 27, que é uma estrada importante que liga o Chile à Argentina e à Bolívia. Por outro lado, a rusticidade torna o passeio interessante. Assim, usamos o banheiro inca atrás das pedras dos mirantes e de Monjes de la Pacana.

    Todo passeio é realizado em altitudes superiores a 4 mil metros, então, não faça este passeio no início. O ideal é ir se acostumando aos poucos com a altitude. Embora não seja necessário caminhar, ficamos cansados.

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